
São sementes tradicionais desenvolvidas e adaptadas que são mantidas e selecionadas por várias décadas através dos agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas ou indígenas, com características bem determinadas e reconhecidas pelas respectivas comunidades. Estas sementes guardam em si a riqueza natural das nossas terras e, por isto, devem ser preservadas e disseminadas través das trocas de sementes, sendo passadas de geração em geração e preservadas nos muitos bancos de sementes que existem no Brasil.
A professora Lia Rejane Reinger, do Departamento de Fitotecnia da Universidade de Santa Maria (UFSM), destaca que as sementes crioulas constituem um imenso repositório genético não somente para as comunidades que as conservam, mas para toda a humanidade: “Vai além dos cenários locais e regionais, uma vez que seus genes são importantes para garantir a sobrevivência dos cultivos agrícolas que se esgotam em seu germoplasma pelos programas convencionais de melhoramento genético”.

Sim, a nova ciência e tecnologia proporcionaram muitos avanços na área do melhoramento, mas teve um efeito negativo em relação à continuidade das espécies ou raças, e, ao negar a prática acima mencionada, criou-se alguns sérios problemas:
- Redução drástica na base alimentar dos povos: existem mais de 10.000 espécies de plantas comestíveis – os povos primitivos se alimentavam de 1.500 a 3.000 espécies – a agricultura antiga produzia com base em mais de 500 espécies – a agricultura industrial restringiu a base da nossa alimentação a 9 (nove) espécies, que são aquelas que dão mais lucro ao mercado. O trigo, arroz, milho e soja representam 85% do consumo de grãos no mundo.
- Crescente deficiência nutricional na alimentação humana: isso é conseqüência direta da redução de diversidade alimentar e também porque essas espécies oferecidas pelo mercado são pobres em muitos minerais e proteínas.
- Redução da biodiversidade: muitas espécies e variedades já se perderam e as monoculturas vão tomando conta do campo. Há também uma perda da diversidade genética e as plantas vão se tornando cada vez mais susceptíveis a pragas e doenças. A perda da diversidade desequilibra os sistemas – tanto os sistemas naturais como os cultivados.
- Crescente dependência de grande corporações empresariais: Algumas poucas empresas querem dominar a produção e distribuição de alimentos no mundo. Estamos cada vez mais dependentes dessas empresas para nos alimentarmos e, portanto sujeitos às suas decisões quanto ao que devemos comer e quanto devemos pagar por isso. A ofensiva dos transgênicos é parte dessa estratégia de controle e dominação.
As sementes não podem ser privatizadas ou contaminadas com genes estranhos à espécie, como acontece nos transgênicos, e nem tornar-se objeto de dominação dos povos por parte de corporações empresariais.
As sementes são patrimônio da humanidade, pois são um legado de nossos antepassados. Tão importantes para a existência humana que são constantemente celebradas e consagradas.
O futuro pertence àqueles que conservam e multiplicam as sementes crioulas.

Saiba mais em: https://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/revista-amanha/mais-sustentaveis-sementes-crioulas-conquistam-agricultores-do-nordeste-11287145#ixzz4p4nguQUY
https://viveirosabordefazenda.wordpress.com/2015/05/07/o-que-sao-sementes-crioulas/
http://www.mda.gov.br/sitemda/noticias/voc%C3%AA-sabe-qual-import%C3%A2ncia-das-sementes-crioulas
https://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/revista-amanha/mais-sustentaveis-sementes-crioulas-conquistam-agricultores-do-nordeste-11287145